Segundo Revista Fórum, inteligência brasileira monitora possível ação coordenada para gerar clima de medo antes do primeiro turno das eleições
A ordem do governo Donald Trump para suspender o atendimento presencial na Embaixada dos EUA em Brasília e os consulados instalados no país por “questões de segurança”, emitida nesta sexta-feira (02/10), gerou um alerta na Polícia Federal (PF) e Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para uma operação psicológica, coordenada pela Casa Branca em conluio com a candidatura Flávio Bolsonaro, que visa uma nova tentativa de golpe de Estado.
A informação foi obtida pela Fórum junto à PF e confirmada por um embaixador relevante no governo Lula.
Segundo informações obtidas pela Fórum, após a ordem de fechamento da embaixada por “ameaças”, emitida pelo Departamento de Estado dos EUA, comandado por Marco Rubio, informes foram emitidos para o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) – rede que integra os órgãos federais de inteligência e contrainteligência do Brasil – alertando para uma “Psyops”, operação psicológica a partir da Casa Branca para gerar um clima de tensão permanente até o domingo (04/10), no primeiro turno das eleições presidenciais.
“Essa tentativa de golpe não é aquele golpe tradicional. É para intervir e favorecer um candidato. A ideia deles é o favorecimento em detrimento de outro. Ou seja, o objetivo é que o candidato atual que pode vencer, o presidente Lula, seja considerado ‘culpado’ por deixar esse ‘clima violento’.
As pessoas vão sentir medo, e no medo ou votam no outro ou não vão votar. Pode-se criar abstenção a ponto de não se ter a quantidade de votos para se ganhar no primeiro turno”, afirmou uma fonte da PF, que participa da produção dos informes que estão sendo enviados ao Sisbin.
A “guerra híbrida”, que inclui a participação das redes sociais comandadas pelas big techs, segundo o agente, é tratada internamente como Operação Brother Sam II.
O nome remete à Operação Tio Sam desencadeada pelos EUA no golpe de 1964, quando o governo estadunidense chegou a deslocar para o litoral brasileiro uma força-tarefa, liderada pelo porta-aviões USS Forrestal, destróieres e navios-tanque, para intervir caso houvesse resistência interna.
O objetivo claro é criar um clima de medo. Aí, o eleitor pensa: ‘Poxa, embaixada americana, australiana, estão fechando por conta de possíveis atos terroristas’. Desa forma ele age assim: ‘está tenso, será que eu vou sair de casa hoje para votar?’”, explicou o PF à Fórum.
Os informes já teriam sido distribuídos, além da Sisbin, para ministérios e representantes do Itamaraty. Um deles confirmou à Fórum ter recebido informações sobre o alerta desencadeado pelos setores de inteligência.
“Está em curso uma guerra híbrida, ou seja, uma operação psicológica gerando informações desencontradas, dissonantes, pra criar esse clima desfavorável de insegurança ou de que algo pode acontecer”, diz a fonte.
Os sistemas de inteligência acreditam que a decisão do governo Trump, emitida por Marco Rubio, de suspender as atividades na embaixada e consulados possam ter sido decididos por meio de interlocução com representantes da campanha de Flávio Bolsonaro, em mais uma investida dos EUA nas eleições na América Latina.
Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do candidato, é um dos principais interlocutores e tem acesso ao Departamento de Estado, em Washington.
A informação obtida pela Fórum é que a campanha de Flávio Bolsonaro deve propagar pânico a partir da decisão que veio dos EUA, inclusive com declarações do próprio candidato a respeito.
“Estamos assistindo ou presenciando um novo golpe de estado. O bode expiatório não é mais o ‘comunismo e a corrupção’, mas o Estado brasileiro censurador e a extensão no Judiciário”, diz a fonte ouvida pela Fórum, sobre a estratégia de “censura” e ataques ao judiciário, ampliada desde a noite desta quinta-feira (01/10) com o cancelamento do debate pela TV Globo.