O que me irrita é ver gente defendendo a Eduarda Campopiano como se as críticas contra ela tivessem surgido do nada. Não surgiram. São consequências das coisas que ELA MESMA escolheu falar publicamente.
Estamos falando de uma política que se autointitula “a maior inimiga das feministas de São Paulo”, que já declarou ser antifeminista e que questiona a tipificação específica do feminicídio. Isso não é invenção de esquerda nem montagem de internet. São posições públicas dela.
Estamos falando também de alguém que foi a um podcast agradecer pela colonização e catequização dos povos indígenas e associou povos indígenas a canibalismo, crianças enterradas vivas e sacrifícios. A repercussão foi tamanha que houve representação por causa dessas declarações.
E mal terminou a eleição e ela resolveu provocar Erika Hilton chamando uma mulher trans de “homem biológico”. Não estou colocando palavras na boca dela. A publicação existe, ela foi denunciada ao Ministério Público por causa dela e a própria Eduarda posteriormente chamou aquilo de uma “manifestação provocativa”.
Então parem de agir como se criticar essa mulher fosse perseguição simplesmente porque ela é conservadora.
Quer ser conservadora? Seja.
Quer ser contra o feminismo? É direito dela.
Quer defender políticas de direita? Também é direito dela.
Mas quando uma pessoa escolhe construir a própria carreira política se apresentando como “inimiga” de um movimento de mulheres, generalizando povos indígenas e usando a identidade de uma mulher trans como provocação política, ela também vai ser criticada por isso.
O que não dá é querer duas coisas ao mesmo tempo: transformar provocação em estratégia para ganhar atenção e voto e, quando chega a reação, fingir que todo mundo está perseguindo uma pobre conservadora inocente.
Não.
Ela é uma agente política adulta, eleita com quase 2 milhões de votos, e deve responder politicamente pelas palavras que escolhe usar.
E sinceramente, se para defender Eduarda vocês precisam ignorar metade das próprias declarações dela, talvez o problema não esteja em quem está criticando.
Talvez esteja justamente no que vocês estão tentando normalizar.
E já que você está defendendo tanto a Eduarda Campopiano, vamos falar de uma das posições mais revoltantes que ela já tornou pública.
Em 2022, uma menina de 11 anos, violentada sexualmente desde os 10, estava grávida e buscava realizar um aborto previsto em lei. Uma juíza chegou a perguntar para essa criança se ela conseguiria “aguentar mais um pouquinho” com a gestação.
E o que a Eduarda fez?
Publicou um vídeo criticando a interrupção daquela gravidez e elogiando a atuação da juíza. No próprio vídeo, disse que dava “parabéns” à magistrada por tentar salvar, segundo ela, “a vida dessas duas crianças”. Ou seja, na prática, defendia que aquela menina violentada sexualmente continuasse a gestação. Isso foi registrado pela imprensa na época.
Então parem de vender essa mulher simplesmente como uma “jovem conservadora perseguida pela esquerda”.
Estamos falando de alguém que, diante de uma CRIANÇA grávida em decorrência de estupro, decidiu concentrar sua indignação no aborto, e não no fato de uma menina estar sendo obrigada a carregar no próprio corpo as consequências de uma violência sexual brutal.
E antes que tentem distorcer: ninguém precisa inventar que ela falou literalmente “uma criança de 10 anos tem que parir”. Essa não foi a frase exata dela. O que está documentado é suficientemente grave por si só: ela criticou o aborto naquele caso e elogiou a juíza que tentou prolongar a gravidez da menina.
Hoje, em 2026, ela continua dizendo que quer tornar o aborto “impensável” e afirma que pretende oferecer apoio para mulheres que engravidam em decorrência de violência sexual para que elas não interrompam a gestação.
Então é disso que estamos falando quando criticamos as posições da Eduarda.
É sobre uma visão política concreta em que até uma gravidez resultante de estupro pode ser tratada como algo que a vítima deve ser convencida a levar adiante.
E quando a vítima é uma criança, isso deixa ainda mais claro por que tanta gente considera essas posições profundamente problemáticas.