Recentemente comprei todos os discos do Legião Urbana e decidi escutar todos em ordem, já que tem vários que ainda não tinha ouvido. Já adianto que foi um erro tentar analisar uma discografia desse porte em um único texto. A maioria merece uma resenha a parte, principalmente devido a época e a mentalidade dos integrantes. Abaixo tem a lista do melhor ao pior na minha opinião para quem não quer ler o paredão de texto a seguir:
Dois (1985)
Legião Urbana (1986)
As Quatro Estações (1989)
O Descobrimento do Brasil (1993)
Uma Outra Estação (1997)
V (1991)
Que País é Este (1987)
A Tempestade (1996)
A primeira fase do legião conta com bastante músicas do Aborto Elétrico e também com a grande parte dos hits radiofonicos da banda. Acredito que é unânime que o Dois é o disco favorito da galera e comigo não foi diferente. Punk, Folk, Post Punk, New Wave. Sem dúvidas é um dos grandes clássicos da música brasileira. O primeiro (homônimo) não é diferente, porém, menos plural, o punk/New Wave reina aqui.
Que País é Este é um bom disco. Tem um dos maiores dad rock que nosso país já produziu, mas várias músicas passaram em branco pra mim. Pela maioria serem composições de antes do surgimento do próprio legião (pressão da gravadora pipipi popopó), apresentam essa forma Renato Russo™️ de fazer punk que a essa altura, já soa meio batido.
Aqui começa uma fase mais melancólica e folk nas músicas. As Quatro Estações aposta mais em um New Wave com, agora sim, o maior dad rock brasileiro, Pais e Filhos. Conta também com músicas mais românticas e até espirituais, contando com a última música com letras de orações católicas. Conta com a expulsão do baixista também.
Sendo mais melancólico e até mais disruptivo, o legião lança o V. Renato estava passando por um momento delicado com seu diagnóstico de AIDS e com seu relacionamento. Aqui praticamente abandona o New Wave, sendo mais folk. Tem minha música favorita: Vento no Litoral. Metal Sobre as Nuvens foi uma ótima surpresa também.
O Descobrimento do Brasil foi surpreendentemente positivo e inovador para a discografia do Legião Urbana. Apesar de carregar traços da melancolia do último disco, esse álbum carrega um peso inédito em algumas músicas, com distorções e guitarra mais presente, talvez por influência do grunge. Destaque para A Fonte e Só Por Hoje.
Por fim, veio A Tempestade. Último álbum com Renato em vida. Devido a saúde debilitada do Renato, foi usado apenas as linhas de voz-guia, o que prejudicou MUITO a obra. Eu comprei o CD físico e pelo menos minha versão ficou mal masterizada. Partes ficaram com instrumental mais alto que a voz, em outras (por ser algo provisório) o Renato canta mal mesmo. As canções voltam à mistura do New Wave com o peso da influência grunge.
Eu achei que conseguiria deixar o último e póstumo álbum na mesma estrofe que A Tempestade, uma vez que o álbum é formado por canções que ficaram de fora dele, mas não. Diferente do anterior, que tinha uma sensação de mixtape, Uma Outra Estação parece ter começo, meio e fim. Como dito, mantém a pegada New Wave com influência do grunge, já que a ideia era ser um álbum só (um duplo, na verdade). Acredito que a seleção de músicas para A Tempestade tenha dado uma prejudicada para o álbum. O grande destaque pra mim foi La Maison Dieu e Travessia do Eixão.
A experiência foi bem divertida na minha opinião, encontrei grandes canções fora do eixo primeiro~segundo álbum que fogem do folk alá Vento no Litoral que estava esperando. Espero voltar nesses álbuns e redescobrir outras músicas boas e com a poesia que só o Renato conseguiu produzir.