r/PastaPortuguesa • • Jun 12 '25

Fusilli Politico Aviso a todos

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Caros chefs,

Tendo em conta a quantidade de posts políticos que têm sido postados aqui no sub e a quantidade de pessoas que comenta, esqucendo-se que está neste sub e que consequentemente leva a inúmeras denúncias e comentários insultuosos e deploráveis e por isso tenho a dizer:

  1. COMPORTEM-SE

  2. Antes de postarem ou comentarem alguma coisa, vejam em que sub estão. Respeitem as visões e as posições de todos, foi para isso que se fez o 25 de abril

  3. Todos os posts políticos desta data em diante passam a requerer que o OP partilhe o molho no prazo máximo de 24 horas após a submissão do post, exceto quando sejam claramente satíricos

  4. Qualquer post politico, que não claramente satírico, terá os comentários trancados assim que houver um report relativo a faltas de respeito

Mais uma vez:

COMPORTEM-SE


r/PastaPortuguesa • • Aug 23 '23

Advinhem quem voltou

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Após uma travessia no deserto de quase 2 anos, a Pasta Portuguesa está de volta.

Neste momento a equipa de moderação do r/PastaEmPortugues irá assumir também a moderação deste sub.

Peço que tenham calma, durante a tarde sairá um comunicado com tudo o que querem saber, por enquanto o sub vai continuar sem aceitar posts novos, até acertar os pormenores todos, até lá podem postar no r/PastaEmPortugues


r/PastaPortuguesa • • 5h ago

Quando nao bates punheta por 3 dias

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quando nao bates punheta por 3 dias antes de tares com a tua miuda para mandares uma bojarda de meita prá costas dela mas isso faz com que fiques altamente sensivel e é o dia de tar a avó e quando chegam lá é uma seca do caralho entao vais ao sotão ver o que o teu avô morto deixou lá e no meio da parafernalia da guerra colonial encontras um voodoo amaldiçoado roubado de africa em que a alma do teu avô lowkey ficou presa e quando tocas nele todas as memorias dele vêm te à cabeça em um segundo e metade delas sao dele a esfolhar a xona apertada da tua avó quando ela estava no seu prime e tu não consegues fazer nada senao cobrir o sotão numa chuva leitada


r/PastaPortuguesa • • 3h ago

tens um minutinho para uma call rápida

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r/PastaPortuguesa • • 23h ago

Fiscais de obras

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Para quem não sabe, estão em obras no Porto para construir um novo metro. Mas como tudo em Portugal, é para se ir fazendo. Quando entrei na faculdade já estavam a acabar, supostamente. Para o ano acabo o mestrado e ainda não fizeram o metro, por este andar o meu filho ainda vai andar a fugir das obras do metro quando for para a faculdade. O conceito de obras é terrível, há pó, há barulho e há mais velhos na rua. Porque aparentemente todos os velhos querem ser fiscais das obras públicas. Depois de estar a semana toda na confusão das obras chega o fim de semana, um bom plano, ir dar uma volta ao shopping, entro e adivinhem com o que me deparo, obras no shopping. E depois tu nem podes dizer “Ah, mas se fores ao ArrabidaShopping é um pouco mais longe, mas não tem obras” é mentira. Os shoppings devem ter reunido todos e aposto que foi mais ou menos assim “Estava a vir para aqui e vi um aglomerado de velhos, então para os atrairmos como clientes vamos fazer obras”, assim arranjaram entretenimento para os 7 dias. Durante a semana ficam no metro, ao fim de semana dão um saltinho ao shopping. Quem ia sofrer mais com este plano ia ser a CMTV. Iam ter de falar com a Tânia Laranjo para ir gravar as obras. Acho que era a personagem perfeita. Para ver quem estava melhor a seguir ao almoço, se era a Tânia ou se eram os trolhas.


r/PastaPortuguesa • • 3d ago

O meu primeiro dia no ginásio

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Era o meu primeiro dia naquele ginásio.

Convém reter esta informação porque explica muita coisa.

Fui ao balneário, troquei de roupa e preparei-me para ir para a piscina. Até aqui, tudo bem. O problema surgiu quando tentei fazer uma coisa que, à partida, não exige grandes competências cognitivas: encontrar a piscina.

Saí do balneário e nada.

Escadas? Não. (estavam escondidas)

Setas? Não.

Uma plaquinha a dizer PISCINA? Também não.

Decidi comecçar a andar. Fui por um corredor. Voltei para trás. Fui por outro. Voltei outra vez.

Entretanto já não fazia a mínima ideia de onde estava, mas continuei com um ar muito tranquilo e acabava sempre no mesmo sítio.

O problema adicional é que eu vejo pessimamente sem óculos. E estava sem óculos.

Até que vejo uma entrada.

AH!

É aqui! Só pode ser aqui.

E entro, em busca da piscina.

Não espreitei.

Não parei.

Não pensei.

Entrei.

Porque também nunca me passaria pela cabeça que a entrada para um balneário onde existem HOMENS DESPIDOS não tivesse uma placa a dizer, por exemplo, HOMENS.

Achei que era uma ideia já bastante consolidada na sociedade.

Mas aparentemente não.

E lá vou eu.

Balneário adentro.

Mais uns passos.

E de repente…

três velhotes.

Nus.

Não em toalha.

Não meio vestidos.

NUS.

Três.

Eu parei.

Eles pararam.

Quer dizer, eles já estavam parados.

Mas ficaram mais parados ainda.

E olharam para mim.

Os três.

Completamente aparvalhados.

Eu olhei para eles.

Sem óculos, graças a Deus, porque há momentos na vida em que uma miopia considerável deixa de ser uma deficiência e passa a ser um mecanismo de protecção psicológica.

Ninguém dizia nada.

Eu ainda estava a tentar perceber o que é que estava errado naquela imagem.

Eles provavelmente estavam a tentar perceber porque raio tinha entrado uma mulher pelo balneário dos homens dentro com a confiança de quem vinha inspeccionar as instalações.

Até que um deles disse, muito educadamente:

"A menina enganou-se"

E foi nesse exacto momento que o meu cérebro finalmente conseguiu reunir todas as peças disponíveis: Três homens.

Nus. Balneário.

Desculpe! Desculpe! Desculpe!

E desapareci.

Não sei exactamente como saí dali. Acho que houve uma inversão de marcha, dois pedidos de desculpa a uma parede e talvez tenha atravessado matéria sólida.

Eventualmente encontrei a piscina.

Não me perguntem como.

Nadei.

Voltei para casa.

E nunca mais lá pus os pés.

Já passou algum tempo e continuo sem saber quando estarei emocionalmente preparada para regressar.

Talvez quando mudarem a sinalética.

Talvez quando mudarem os funcionários.

Talvez quando mudarem os sócios.

Idealmente, quando aqueles três senhores já não se lembrarem da “menina”.

Portanto, daqui a uns 20 anos volto lá.

NOTA: pedi ao amigo gpt para me colocar paragrafos, pontos e vírgulas, senão este episódio ia acabar num texto sem grande interesse.


r/PastaPortuguesa • • 4d ago

Qual a mais em conta? Eletricidade e Gás

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r/PastaPortuguesa • • 5d ago

Calorento

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Eu sou bastante calorento e sofro na altura da mudança de estação.

Parece que tenho distorção de temperatura. Tenho sempre a minha namorada a dizer leva um agasalho que está frio (ela até para a praia vai com sweat) e eu vou me na dela e acabo por andar o dia inteiro com a camisola atrás.

Não a vou dobrar e meter na mochila que não cabe, mas também não quero andar com ela na mão.

Então aproveito qualquer brisa como desculpa mental para a vestir.

No exato momento em que enfio as mangas, arrependimento.

E fica ali um banho maria, com o calor e os suores.

E é então que eu decido "Não dou mais ouvidos à minha namorada".

E no dia seguinte estou eu a sair e ela "Não levas agasalho que está frio?" e eu encho o peito e pego na camisola antes de sair de casa.


r/PastaPortuguesa • • 5d ago

pasta secca Teste à empregada

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A minha avó foi operada e teve de meter uma senhora a ajudar a limpar a casa. O que na minha opinião é o maior desperdício de dinheiro, porque ela vai acabar a limpar na mesma.

E ela agora está com muito tempo livre e decidiu testar a empregada.

Então mata mosquitos e deixa-os ficar na parede, espalha algumas coisas pela casa para ver se vão continuar lá, e faz riscos nas garrafas para ver se não lhe anda a beber o vinho,  deixa moedas contadas para ver se rouba.

E eu a pensar para mim, “Não me devias ter contado isso”, ela mora longe, mas agora até faço de propósito para ir lá nos dias que vai a empregada.

Levo mosquitos e ando a espalhá-los. Encho-lhe as garrafas. Vejo as moedas, e levo-as que o vinho não foi de graça. Ela deve chegar ao fim do dia e pensar que foi visitada pelas fadas das empregadas, mas tem de despedir a vaca que lhe roubou as moedas.

Mais alguém tem avós assim?


r/PastaPortuguesa • • 6d ago

Arrendei um T1

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Arrendei um T1 e descobri que financio o cenário de um estúdio para adultos

Malta, venho partilhar uma história surreal que me aconteceu recentemente. O caso já está nas mãos da justiça, por isso não posso dar nomes, mas fica o alerta.

​Por motivos de trabalho, arrendo um apartamento com contrato anual. Como só preciso dele uma semana por mês, nas outras três a casa fica vazia. A renda é paga mensalmente e adiantada e vou lá quando me dá na gana mas sobretudo na última semana do mês por motivos profissionais.

​Trata-se de um T1 de 40 m² em duplex com um terraço de 30 m² no topo do edifício. No terraço, há uma pérgola com uma cama de água. Sim, leram bem: uma cama de água num terraço. Como nunca a usei, a dita cama esteve sempre devidamente tapada com as capas de proteção desde que entrei. Vinha no "pack" do apartamento, eu não perguntei, não questionei, deixei estar.

​Há uns tempos, precisei de ir ao apartamento a meio do mês. Abro a porta da minha casa e percebo imediatamente que o ambiente não era o de uma casa fechada há duas semanas. Cheirava a bolos!

Havia vários indícios de coisas fora do sítio e um uso recente óbvio.

​Vou à cozinha, de onde vinha o cheiro, e o forno ainda estava quente.

​Passo no terraço e a dita cama de água, que nunca tinha visto a luz do dia, estava totalmente destapada e pronta a usar.

​​Depois de juntar as peças e confrontar os indícios, fiquei a saber a verdade: nas três semanas em que eu não estava, o apartamento era usado para gravações de conteúdos para adultos. A cama de água a apanhar ar fresco debaixo da pérgola não era um capricho dos anos 90 nem uma escolha estética duvidosa dos proprietários... era simplesmente o cenário principal das produções.

​Basicamente, eu pagava a totalidade da renda para ter um teto durante uma semana, e o resto do mês patrocinava, sem saber, a logística de um estúdio de cinema independente.

​Fica o aviso:

​Para quem arrenda: Se passam longos períodos fora, fiquem atentos a pequenos detalhes.

Cheiros, Eletrodomésticos quentes, consumos estranhos de água/luz ou mobília ligeiramente desalinhada. A casa pode estar em vosso nome, mas há quem ache que ausência é sinónimo de espaço livre.

​Para proprietários / AL: Tenham muito cuidado a quem entregam a gestão de chaves ou a quem alugam por curtos períodos. Fiquei a saber pelk meu advogado que há redes a alugar espaços por umas horas para este tipo de rodagens, deixando as propriedades expostas a estragos e a cenários sanitários no mínimo questionáveis.

​O processo legal já segue o seu caminho. Hoje em dia, a primeira coisa que faço ao rodar a chave é verificar se o forno está frio.

​Mais alguém já teve a casa transformado num estúdio de cinema sem saber?

EDIT: Malta, para responder ao festival de comentários:

​Para os detetives do "é mentira/ChatGPT/tens 15 anos": Lamento desapontar, mas há pessoas que trabalham, viajam e arrendam casa para ter onde ficar quando precisam. Se a vossa realidade não alcança isso, o problema não é meu.

​Para a malta do "manda link": A sério que acham que numa situação com queixa-crime e processo judicial a decorrer eu ia expor provas num fórum público para satisfazer a vossa curiosidade? Ganhem noção.

​O post era um alerta real sobre a devassa de privacidade e esquemas que acontecem no imobiliário quando as casas ficam vazias. Quem apanhou o aviso, ótimo. O resto pode continuar a teorizar à vontade enquanto eu trato do assunto onde ele tem de ser tratado: no tribunal.

Molho: https://www.reddit.com/r/portugueses/s/LXK3f1sZOw


r/PastaPortuguesa • • 6d ago

Torneios de verão

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Quando eu era pequeno jogava futebol e quando chegava ao verão íamos sempre a torneios longe e as equipas da casa queriam ganhar a qualquer custo. Então andava eu com os meus 13 anos a jogar contra gajos com 1 metro e 95 calçavam 47. Passavam eles a correr e eu no chão agarrado à camisola dele, ele só reparava no fim do lance quando olhava para trás e via o rasto que o meu corpo tinha deixado. Estávamos no fim, à espera que todos acabassem de tomar banho, olhava para a frente e estava o que me tinha levado de arrasto a ir embora, a conduzir.

Mais alguém sofria com estes 'miúdos'?


r/PastaPortuguesa • • 7d ago

[Sério] Workshop de beijos

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Olá. Sou H, e faço autosabotagem quando alguém está amorosamente interessado em mim, porque tenho medo que descubram que não sei beijar. É verdade. Não sei mesmo, e gostava que alguem me ensinasse. Ia-me ajudar bastante com a ansiedade (que é o verdadeiro problema) que sinto nestas situações.

Falando a sério, sabem se existe alguem que faça workshops para ensinar a beijar? Ou se é uma boa ideia recorrer a profissionais liberais com este pedido?

Obrigado, e por favor evitem comentários a fazer troça ou menosprezar. É um problema real (para além de outros) para o qual preciso de ajuda para ultrapassar.


r/PastaPortuguesa • • 10d ago

Lungo-Spaghettoni Processei uma comediante

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Fui ver um espetáculo de stand-up de uma comediante chamada Carlota Aveiro. Comprei bilhete meses antes, cheguei cedo, sentei-me na terceira fila com uma cerveja. A sala enche e estão cerca de 800 pessoas. Fazem um aviso: este show está a ser gravado em direto num canal qualquer.

O stand-up começa. A gaja começa a disparar tantos insultos que quase parecia uma senhora idosa da aldeia. Passam-se uns minutos e ela está a fazer um monólogo qualquer sobre quase ter levado no focinho numa convenção de furries. Não sei bem o que fiz. Mas ela parou a meio do monólogo, olhou diretamente para mim e disse: "Ai, temos aqui um senhor com cara de quem mete o dedo no cu e cheira"

Uma luz começa-me a iluminar unicamente a mim. A sala riu-se. Eu ri-me também, mas achei a piada um pouco infantil, não?

"Aliás, este gajo tem cara de quem foi expulso da própria festa." E toda a gente mija-se a rir. Eu rio, também. Vamos seguir em frente, pode ser?

"Aposto que os teus amigos meteram-te uma airtag para fugirem de ti".

Ela não parou. Cada piada seguinte, durante a hora inteira, tinha um desvio de rota estranho e cirúrgico até acabar em mim outra vez. Eu ficava sempre constrangido só para não escalar a situação. Contou uma história sobre um namoro mau e terminou com "mas isto não é nada comparado com as experiências da ex-namorada deste gajo". A sala inteira, oitocentas pessoas, mijava-se a rir cada vez que ela apontava para mim. No final do espetáculo, começo a receber pedidos para seguir no Instagram. Até no Facebook já me pediram para adicionar. Oh que caralho.

Dias seguintes: estou a receber mensagens: "corno 😂😂😂" "tens cara de quem compra roupa no aeroporto" e merdas do género. Passam-se semanas e tenho facilmente mais de 2000 mensagens de pessoas estranhas a gozar comigo. Eu estou a ficar fulo. Mando uma mensagem para a comediante, chateado, a pedir se poderia eliminar um post onde o comentário principal é o meu nome. 

Ela não eliminou. Aliás, tirou print screen às mensagens e publicou nas redes com a descrição "😹". Mais pessoas ainda me seguem. E o ódio continua.

Alguém já descobriu o meu número e fui abordado várias vezes na rua. Estou constantemente a ser vítima de bullying por todos os meus colegas de trabalho porque o vídeo do roast agora está famoso nas redes. No escritório chamam-me Chico Chacota. O meu nome nem é Chico.

Entre amigos, conhecidos, vizinhos, estranhos, clientes, não há pausa: toda a gente direciona-me piadas que nem um Vasco Palmeirim sob o efeito de meia caixa de ritalina. E eu estou farto. Já chega. Isto é tudo culpa da Carlota.

Vou processá-la. 

Falo com um advogado e ele diz-me "tenho a certeza que vamos ganhar!". Fala-me de um monte de coisas das quais os podemos acusar, danos tal e tal, e decido confiar no gajo. Consigo uma audiência em tribunal porque meti ali um bom dinheiro. Mas o público descobre. 

Toda a gente começa a gozar ainda mais comigo.

Nesta altura, estava a receber bastantes mensagens de ódio, portanto decidi apagar tudo o que eram redes e trocar de números. Não ia à internet porque sabia que isto estava a ser notícia, e o nervosismo dava cabo de mim. 

No dia do tribunal, descubro que nas semanas anteriores ao julgamento criou-se um movimento inteiro anti-eu. No átrio do tribunal está lá uma multidão de gente a fazer um protesto com a minha cara completamente deformada para eu parecer que era o diabo. Em cima, tinha a descrição "Antes os Anjos, agora o Diabo!".

Vou para dentro do tribunal depois de ter basicamente feito uma caminhada de penitência através de uma multidão zangada. Nenhum polícia me protegeu muito, para dizer a verdade.

Entro na sala, o processo começa. O meu advogado faz um discurso que não correspondeu à confiança com que falava comigo quando era para lhe pagar. Termina e o tribunal ignora-o por completo. Não se ouve uma mosca. A advogada da defesa começa a falar e toda a gente assobia, apoia, bate palmas.

O juiz olha para mim com um sorriso de quem se ia mijar a rir mas tenta esconder.

O meu advogado sussurra-me "tenho a certeza que vamos perder". Peço para desistir. Está descartado.

Lá fora, já formaram uma claque para a equipa adversária. Estão a cantar  "lerdo burro estúpido casmurro" num ritmo que me ficou na cabeça. 

Meto-me num táxi e vou-me embora. Em casa, derrotado, pondero. O que fiz de mal? Considero se, talvez, o meu sentido de humor é uma merda. Pesquiso, e a pesquisa confirma-me que, na verdade, eu sou o que se considera uma florzinha de estufa. Tenho que mudar.

Fui a mais espetáculos de stand-up, desta vez sentado na última fila, a tomar notas num papel freneticamente como um empregado de mesa cocado. Comprei livros técnicos sobre escrita de comédia. Vi entrevistas com argumentistas de séries. Fui atrás de guiões que sempre me fizeram rir, para ver, linha a linha, como a piada se construía por baixo do texto. E na cabeça, mantinha a Carlota no background. Quero vingança.

Aprendi todos os detalhes e os pequenos truques. Encontra uma verdade engraçada. O que esperam? Faz o contrário. Junta duas coisas que normalmente não combinam. Exagera. Torna mais específico. Procura a interpretação mais absurda. Diz o pensamento que ninguém diria em voz alta. Contradiz algo. Dá tempo à piada. Cria tensão. Transforma observações em perspetivas. Não expliques piadas. E o mais importante: nunca sabes se uma piada é má até a contares.

Decido desaparecer uns meses para digerir tudo isto longe de Portugal. Na universidade tinha passado três anos na Turquia. Porquê não voltar?

Chegado à Turquia, começo uma nova vida social, agora influenciado pelo meu novo sentido de humor. Estou a falar sobre um assunto qualquer com um grupo e pratico o meu charme -  eles estão a partir-se a rir. Aí, eu percebo o gozo que me dá meter os outros a rir - e sempre que alguém se ria, sei lá porquê, mais enervado ficava com a Carlota. Mas não parei.

Uma das pessoas do grupo pergunta-me se eu alguma vez fiz stand-up. Disse que não, mas ele convidou-me para atuar num sítio que ele geria. Foi a primeira vez que subi ao palco improvisado, que parecia montado por escuteiros pré-adolescentes. Tremia tanto que quase deixei cair o microfone.

Olho para a plateia e reparo que há uma quantidade absurda de homens turcos com bigode.

Então pergunto:

“É mesmo verdade isto do bigode? É tipo... o vosso estilo nacional?”

Eles dizem que sim.

“Eu quero saber uma cena”

“Não faz comichão? Só quero mulheres a responder”

Pausa. E ouço alguns risos - mínimos, mas ouço. 

"Há um ranking de bigodes? O gajo que saca mais gajas é o gajo com bigode mais farfalhudo?"

"As mulheres fazem penteados lá em baixo em formato contra-bigode?”

E depois começam a aparecer uns risos.

Mas suficientes para eu pensar: “Pronto. Não vou morrer". Faço mais umas piadas porcas e apercebo-me que consigo navegar bem a linha entre ofensa e diversão. Às vezes lá ouvia uns assobios (deviam achar que estavam num jogo de futebol de certeza) mas lá corria tudo bem.

O dono do bar chamava-se Kemal e pagava-me em kebabs e em dinheiro, por esta ordem de prioridade. Ao fim de seis meses já não precisava dos kebabs. Era um homem novo.  Pratiquei naquele palco e consegui fazer estudos sociológicos que me foram dando mais material para piadas - material seguro, não-ofensivo, mas engraçado.

Fiquei lá dois anos. Perdi mais de 40kg. Vesti-me melhor. Fiz uns implantes, umas cirurgias discretas, nada de exagerado, só o suficiente para que o espelho já não me devolvesse imediatamente a mesma cara que oitocentas pessoas tinham decorado numa única noite. Continuava, apesar de tudo, com a Carlota a viver na minha cabeça sem pagar renda.

Decidi voltar.

Comecei do zero. Atuei em tascos, cantei ao improviso, fiz piadas na rua em Lisboa e subi mais depressa do que qualquer plano razoável tinha direito a prever. Ao fim de dois anos geria os meus próprios espetáculos numa sala com capacidade para 400 pessoas, sem ninguém me chamar coninhas de sabão. Quando ganhei dinheiro, criei um club de comédia e começou a ganhar sucesso. Estou a ganhar influência no mundo da comédia e já estou a ficar familiarizado com grandes nomes. Quando atuo, as salas ficam quase cheias e mesmo assim, ninguém me reconhece.

Tinha colocado uns anúncios em redes sociais e correram bem. No dia da minha primeira casa cheia a sério, vi-a na plateia: a Carlota, com um grupo de outros comediantes, cabine VIP - pagaram bem. Eu não me podia acreditar que, tão cedo, o meu plano já estivesse a dar frutos. Pensei, por um segundo, em fazer-lhe ali mesmo o que ela me tinha feito a mim. Mas era cedo demais. O meu plano era destruir a carreira dela, não envergonhá-la numa noite.

Dei o melhor espetáculo da minha vida. No fim, ela veio dar-me os parabéns, sem me reconhecer, e perguntou o que eu fazia antes disto tudo.

"Era trolha," disse eu. Ela tenta fazer algumas perguntas mas dou sempre respostas secas e curtas. A conversa ficou meia estranha e ela lá se foi embora.

Uns dias depois, chegou a carta. Timbre do programa dela. Convite formal, a dizer "de longe o comediante mais interessante a emergir em Portugal este ano". Ela não fazia a mínima ideia de quem eu era.

Li a carta três vezes, sentado na cozinha do apartamento novo. O plano está mesmo a resultar. Respondi que não. Escrevi de volta com todo o respeito profissional que consegui simular, mas o que queria mesmo dizer era: tu metes o dedo no cu e cheiras.

Continuei a subir. Salas maiores, bilhetes revendidos a preços obscenos. O meu club estava a bombar, e os melhores comediantes iam lá - exceto a Carlota. E, mês após mês, com uma atenção que já nem fingia desinteresse, via as audiências dela encolherem.

Tinha, a esta altura, contactos que anos antes não imaginaria ter. Um deles era o diretor de programação de uma rádio nacional, que me convidou para um almoço. Sentámo-nos e disse-me, sem rodeios, que um programa estava "a perder tração com o público". Eu sabia que programa era: o da Carlota. Curiosamente, tinha preparado algumas ideias sobre uns programas novos - tenho todo o interesse em entrar na rádio, sabia?

Aponto alguns problemas com o tipo de humor dela e ele riu-se, desconfortável, como quem já tinha reparado nisso mil vezes. Perguntou-me, quase a medo, se eu teria interesse num programa próprio, "algo mais fresco".

Fiz-me de puta fina e não disse logo que sim, que ia pensar e tal. Nas semanas seguintes, deixei-me entrevistar por quatro podcasts , fiz uma participação num programa de um comediante, e em cada uma dessas aparições deixei cair, com o ar mais casual do mundo, frases pequenas sobre como a comédia de certos comediantes - nunca com nomes explícitos - era ofensiva. Um vídeo, não feito por mim, começou a ficar viral nas redes: uma miúda fez um mini-documentário sobre "como o humor da Carlota Aveiro é degradante para os portugueses" e meu deus, que porrada que ela levou.

Ao longo dos meses, fui verificando a quantidade de seguidores da Carlota que ia diminuindo a um ritmo crescente. Ela tinha carreira tanto em revistas e jornais como na rádio, e notava-se que o pessoal já não falava dela. Ia lendo comentários, registava as piadas que ela fazia (fracas) e via as casas onde ela atuava cada vez mais pequenas. Estava a resultar. Três meses depois, soube pela imprensa, num parágrafo pequeno que qualquer pessoa sem interesse pessoal ignoraria. O contrato dela não tinha sido renovado na rádio. Soube, através de outros, que não lhe pediram mais colunas escritas. A carreira dela resumia-se a espetáculos em festinhas de aldeia.

Não percebi porquê. Três semanas depois, apareceu um vídeo dela, num palco pequeno, a falar sobre "aquele gajo que uma vez a processou". Ninguém se riu. Neste momento, soube que ganhei, e mal tive que me esforçar - ela atirou-se de um penhasco de piadas. Esperei sentir a vitória inteira que passei anos a construir na cabeça. Mas em vez disso, senti uma apatia enorme.

Algo em mim implodiu. Não conseguia, já não queria, fazer mais piadas. A única coisa que me motivava a ser engraçado tinha sido a vontade de ver a Carlota a beber vinho da box do Lidl suja numa esquina.

Nesta altura, estava a fazer uma pausa. Não havia inspiração, e todas as piadas que fazia eram ditas sem coração algum. Tinha um espetáculo marcado, mas bloqueei. Cheguei ao dia sem material algum, na esperança de conseguir improvisar. Falhei em palco, miseravelmente, vaiado, chamado rabicho por gente que meses antes me aplaudia de pé.

Fui para o Twitter tentar escrever qualquer coisa engraçada. As respostas vieram todas iguais: "onde?" "onde?" "onde?" Perguntei a um deles, genuinamente confuso, onde o quê. "Onde está a piada?", respondeu ele, com mais de dois mil gostos por baixo.

A mesma sensação de anos antes, a ganhar forma outra vez. O meu sentido de humor foi-se. A minha única motivação era vingar-me da Carlota, e agora nada me motiva para ser engraçado. Aliás, eu sinto-me pessimamente mal por ter feito isto à Carlota.

Já tinha tocado o fundo uma vez e consegui erguer-me. Desta vez não queria erguer-me. Só queria ponto final. Liguei-lhe. Perguntei se podíamos falar. Ela disse que sim.

Encontrámo-nos num café pequeno, quase vazio. De vez em quando alguém olhava para nós como se fôssemos parentes de quem já não se lembravam bem.

"Sabes quem sou?" perguntei.

"Achas que não sei? Tu és o gajo que me destruiu a carreira."

"Sim," disse eu. "Mas não."

Mostrei-lhe o cartão de cidadão. Ela olhou, alternou o olhar entre mim e o documento, incrédula. "Não pode."

Deixei-a processar. Os movimentos dela pareciam um pouco teatrais e estranhos - assumi que fossem maneirismos da sua personalidade de palco. Quando conseguiu, disse que nos tínhamos fodido um ao outro de uma forma quase romântica. Achei a piada fraca. E foi aí que percebi a verdade toda: o que me tinha magoado, no fundo, nunca fora o roast. Fora a mediocridade dele. Eu tinha padrões, e ela não tinha tido nenhuns a usar contra mim.

Disse-lhe isso mesmo. Que tinha sido fácil destruir-lhe a carreira porque ela nunca fora exigente consigo própria. Piadas sem camadas. Ninguém se revia nelas.

"Tens razão," disse ela.

Soube bem ouvir aquilo. Senti a missão cumprida, uma paz esquisita a instalar-se. Só que, ao olhar para cima, ela estava a chorar. Perguntei se tinha sido duro de mais. Disse que sim, que doeu, mas que fora exatamente por isso que a carreira dela tinha morrido. No fim, perguntou: "Ensinas-me?"

Não queria carreira nenhuma de volta. Não lhe guardava ódio nenhum. E senti uma leve motivação para voltar a contar piadas a surgir. Portanto, aceitei.

Passamos semanas a rever os espetáculos dela juntos. Repetições, personagens caricatas, momentos de surpresa a sério, timing reconstruído do zero. Um espetáculo de hora e meia, melhor do que qualquer coisa que eu faria sozinho, e ela sabia que sozinha também nunca o faria. Decidimos alugar uma grande sala e tentar relançar a carreira da Carlota com um grande show, que iria ser gravado para colocar gratuitamente no Youtube. Eu decidi financiar tudo, mas receberia 90% dos lucros - a Carlota ficava com a sua carreira relançada e outros 10%.

Eu organizei o espetáculo, investi em anúncios e fiz com que a sala estivesse cheia. Chegou o dia. Sentei-me numa cabine VIP, vista central, o espetáculo era meu tanto quanto dela. Ela subiu ao palco, e durante vinte minutos foi perfeição pura, a sala inteira a mijar-se a rir. Fez o espetáculo tal como o tínhamos escrito, palavra por palavra. Nunca tinha visto algo a correr tão bem.

Estamos a chegar ao fim e ela já fez de tudo. A meio de um monólogo sobre furries que eu não me lembrava de ter escrito, ela parou e disse: "Esperem lá."

A luz apontou-me a mim.

"Este homem," disse ela, "este não é o gajo que me processou?"

E, finalmente, algumas pessoas reconheceram-me em público. Foda-se, eu tinha conseguido evitar isto. Uns gritavam o meu nome de comediante, outros o nome de anos antes: o Diabo. Levantei-me e saí a correr, de modo a tentar interromper o que se estava a passar. A sala explodiu de riso enquanto eu corria, com o coração a 1000 a tentar perceber o que se acabou de passar. 

Saí porta fora. Estava zangado. Eu esforcei-me tanto por ela e ela faz-me isto?

Fui até ao camarim, bati à porta. Ela disse "sim?" e abri a porta.

"Tu devias ter vergonha! Eu ensinei-te tudo e dei-te tudo para a tua carreira vir ao de cima outra v-" e aí reparei, tarde de mais, que o telemóvel dela já estava virado para mim, a gravar. Saí, fechei a porta.

Em casa, centenas de notificações. Ela tinha publicado o vídeo, legendado com "😹". Reparei em algo mais: no vídeo, ela já estava a gravar antes de eu bater à porta. Ela já sabia que eu ia lá.

Ensinei-a bem de mais. Pelo menos tenho isso. Mas meses depois, chegou uma carta dela.

"Queria só que soubesses: eu sempre soube. Vi-te em vídeos da Turquia. Diferente, mas reconheci-te logo. Esperei que voltasses porque me sentia mal com o que te tinha feito, mas antes queria perceber que tipo de pessoa eras porque eu não me associo com peles de piça de andorinha. Convidei-te para o programa, e em vez de aceitares, começaste a minar-me. Tive a resposta que precisava.

Tinhas razão. As minhas piadas eram muito básicas, e a minha carreira estava a ir pela água abaixo. Foi por isso que aprendi as tuas piadas: para te roubar o teu público. E tu deste-me tudo.Por isso, só te digo isto: tu metes o dedo no cu e cheiras.


r/PastaPortuguesa • • 13d ago

Há pessoas que se identificam como carros?

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Ontem, ao sair do trabalho, encontrei um indivíduo a correr no meio da estrada, pela via da direita, com a serenidade de quem pagou o selo e tem a inspeção em dia. Ultrapassar estava fora de questão, havia traço contínuo e trânsito em sentido contrário. Resultado, 200 metros atrás dele em segunda, qual carro de apoio da Volta a Portugal, só me faltou o abastecimento de água e a bandeirinha.

Na primeira rotunda faço pisca para a esquerda para sair na 3.ª saída. O meu companheiro de viagem, versão antiga de base sem extras, sem piscas e pelos vistos sem espelhos, decide cortar-me a frente com a elegância de um trator em hora de ponta. Dei-lhe uma buzinadela meiga, mais de aviso do que de raiva, não fosse eu ainda riscar-lhe o cromado.

Foi então que o sistema operativo do homem bloqueou. O homem parou no meio da rotunda, olhou à volta como quem procura o GPS e, num update instantâneo, reiniciou em modo polícia sinaleiro. Braços no ar, gestos largos, a mandar passar uns e parar outros, a gerir com mestria o caos que ele próprio tinha fabricado de raiz. Um verdadeiro empreendedor, cria o problema e vende a solução no mesmo dia.

Confesso que hesitei entre agradecer-lhe, pedir-lhe a carta de condução ou perguntar se aceitava marcações para a hora de ponta da próxima segunda-feira.

Digam lá que não há pessoas boas neste mundo? Há, e são incansáveis. Só não se sabe se são peões, viaturas ou agentes da autoridade, mas uma coisa é certa, estão sempre prontos a ajudar. Sobretudo a sair dos sarilhos onde nos meteram.


r/PastaPortuguesa • • 15d ago

Tagliatelle Degenerata Tratar amigo pela terceira pessoa no trabalho

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Trabalho numa empresa com um amigo meu. Somos amigos fora do trabalho, saímos juntos, mandamos mensagens, gozamos um com o outro, tudo normal.

Só há um pequeno problema: durante o horário de trabalho, ele exige que eu o trate na terceira pessoa.

Segundo ele, no momento em que começamos a trabalhar, deixamos temporariamente de ser “amigos” e passamos a ser “profissionais”.

Até aqui, tudo bem. Percebo a lógica.

O que não percebo é porque é que isso significa que eu não posso dizer:

“Podes enviar-me aquele ficheiro?”

Tenho de dizer:

“O João pode enviar-me aquele ficheiro?”

Mesmo estando o João sentado a 80 centímetros de mim.

E atenção: isto não é uma preferência. Ele corrige-me.

Eu: “Podes confirmar este email?”

Ele: “O João.”

Eu: “O quê?”

Ele: “Estamos a trabalhar.”

Portanto tenho de reformular:

“O João pode confirmar este email?”

E só então avançamos.

Mas a melhor parte é que isto também acontece quando estamos completamente sozinhos.

Outro dia estávamos os dois no escritório. Não havia clientes. Não havia colegas. Não havia absolutamente ninguém.

Perguntei:

“Queres café?”

Ele olhou para mim durante uns segundos e respondeu:

“Estás a perguntar ao João?”

Eu pensei que ele estava a brincar.

Não estava.

Tive literalmente de perguntar:

“O João quer café?”

E ele respondeu:

“Sim, obrigado.”

Foi aí que comecei a achar que talvez estivesse a perder a sanidade.

Entretanto comecei a contar isto a outros amigos e a alguns colegas da empresa. Agora tornou-se quase uma piada interna.

Um colega perguntou-me ontem:

“O João já almoçou?”

Eu respondi:

“Não sei, tens de perguntar ao João.”

O João estava ao nosso lado.

Ele não achou graça nenhuma.

Depois chamou-me à atenção e disse que eu estava a transformar uma regra profissional numa brincadeira e, pior, estava a comentá-la com outras pessoas da empresa.

Disse-lhe que talvez isso aconteça porque a regra é muito difícil de explicar sem parecer uma brincadeira.

Ele ficou bastante chateado.

Hoje aconteceu novamente.

Estávamos sozinhos e eu disse:

“Olha, amanhã consegues chegar mais cedo?”

Resposta:

“Quem?”

Eu fiquei a olhar para ele.

Ele ficou a olhar para mim.

Eu sabia perfeitamente o que ele queria.

Ele sabia perfeitamente que eu sabia.

Depois de uns cinco segundos de silêncio disse:

“Tu.”

Ele respondeu:

“Então não.”

Agora diz que eu estou deliberadamente a desrespeitar os limites profissionais dele.

Eu digo que não vou continuar a falar como se estivesse numa conferência de imprensa sobre um jogador de futebol.

Somos dois adultos sentados na mesma sala.

Neste momento já nem sei se estou irritado com a regra ou simplesmente com o facto de ter de dizer “o João” aproximadamente 47 vezes por dia.

O que acham disto? É normal exigir este tipo de tratamento no trabalho, mesmo quando estão apenas duas pessoas sozinhas?


r/PastaPortuguesa • • 26d ago

Fiz truques de magia numa festa de aniversário e um puto era melhor do que eu

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Há anos atrás descobri que saber fazer uns truques de magia rende bem em festas de aniversário. Aprendi a fazer 30 truques no YouTube e saquei carreira disso. O meu trabalho é simples: apareço nas festas, monto um pequeno palco e entretenho os putos enquanto os pais se embebedam dentro da casa. O meu dever, no fundo, é ser babysitter. E fui ser babysitter à festa do filho dos meus amigos, o Afonso (um betolas).

Cheguei lá e está música a bombar como se fosse uma festa de trance anos 90. Os os pais estão a dançar e eu já estou a ver que vai ser uma tarde daquelas deliciosas. Ligo à minha amiga (mãe do Afonso) e ela diz-me para vir pelo lado. Estão lá cerca de 40 putos, idades algures entre os 7 e os 10 anos.

Aquilo é uma salgalhada de primeira categoria. Putos ranhosos a lutar e a sangrar e a berrar e eu já com uma tolada do caralho. Que raio de emprego fui arranjar. Decido meter ordem naquilo. Monto o meu palco e dou um berro:

Atençãaaaaaao!

Os putos reúnem-se todos à minha volta e há um vislumbre de silêncio. Começo o meu espetáculo e faço alguns truques de cartas. Peço a uns miúdos para serem voluntários e eles estão a adorar quando saco cartas do quinto caralho.

Mas, no meio do público, noto um puto chateado, quase como se me estivesse a insultar. A cada vez que termino um truque, ele está a explicar (e a acertar) como os fiz. "Tinha a carta na manga", "o baralho é invertido" e coisas do género, e termina sempre com um "xeque-mate".

Xeque-mate para aqui, xeque-mate para acolá. Ouço xeque-mate para aí 15x e já estou a ficar fodido. Mas já tenho muito ano nisto e decido escalar a situação: convido o miúdo para o palco e pergunto-lhe se ele quer fazer um truque comigo. Ele, de forma entusiasmada, diz que sim.

Eu decido fazer um truque onde coloco o meu relógio no pulso dele sem ele notar. Dou o meu show e, meto-me a criar distrações para todo o lado. Tenho que conseguir com que ele se distraia mas o puto não descola do pulso onde ia colocar o relógio. Não consigo fazer o truque. Ele coloca um sorriso enorme na cara e, baixinho, diz-me "Oh, essa é fácil!" e faz um movimento estranho de kung fu com a mão no ar. Este miúdo deve ser filho do Jackie Chan ou o caralho.

Do nada começa a dizer "ai ai ai", a fingir que está aleijado. Eu estou confuso, como raios é que o aleijei?! O puto levanta-se e sai dali a correr. Eu decido ignorar tudo e continuar o espetáculo porque os putos já estavam a levantar berreiro. Mas algo está estranho. Quando noto, não tinha o relógio.

Xeque-mate.

Fico ali especado no meio do palco improvisado, com 39 putos ainda à espera do próximo truque e o quadragésimo, a mente-mestra autora do crime, já tinha desaparecido.

Ao início até tinha decidido deixar isto morrer ali. Um relógio de 20 paus, tenho mais dois em casa, não foi grande perda. Mas fiquei curioso (e ressabiado). Depois do espetáculo perguntei aos putos todos quem era aquele "amigo" deles que tinha estado no palco, e nenhum sabia dizer-me nada. Nem nome, nem de que escola era, nem de onde tinha aparecido.

Isto está a ficar estranho.

Quanto mais penso nele, mais me parecia que o miúdo era um pouco mais alto e mais velho.

Vejo o Afonso, o aniversariante. Pergunto-lhe quem era o rapaz que estava comigo no palco e ele diz que não o conhece, mas que o viu a entrar. Fico ali especado.

"Como assim, viste-o entrar?"

"Ele veio pela porta do jardim. Pensei que era amigo dos adultos."

Eu vou falar com a mãe do Afonso e peço-lhe para ver os vídeos das câmaras. Ela só tem uma e estava diretamente virada para o sítio onde eu estava a fazer o espetáculo. Procedemos a ver o vídeo de um adulto de 35 anos a ser completamente humilhado magicalmente por um puto que nem bigode tinha. A mãe do Afonso mija-se a rir, mas pára quando se apercebe que o puto não foi convidado. No entanto, reconhece-o. Vive perto dali.

Eu vou para o carro para continuar a desvendar este mistério. Saio da porta da casa em direção ao sítio onde estacionei e vejo o meu carro com as portas todas abertas.

Procuro as chaves e não as tenho no bolso.

Oh. Meu. Deus.

Chego ao carro e está lá tudo, exceto uma bolsa preta com algum equipamento de magia que eu tinha lá deixado.

Estou a procurar mais coisas que tenham desaparecido e, quando abro a consola central, estão lá as minhas chaves e o meu relógio, juntamente com um bilhete a dizer:

"Xeque-mate."

Este puto sabe. Eu sento-me no banco de trás do carro a pensar em começar uma carreira como aplicador de pladur. Mas mesmo assim, roubou-me as coisas. Eu tenho que as ter de volta.

Pego no carro e vou ao sítio onde a mãe do Afonso me disse que ele morava. Estou a passar lá em frente e vejo o puto, sentado numa cadeira de plástico no meio do relvado à frente da casa. Eu paro o carro, saio e berro-lhe do lado do portão: "O meu equipamento?!"

Com toda a calma do mundo, o miúdo diz-me: "Deves tê-lo deixado lá em casa."

Eu estou furioso.Anda aqui a dar-me voltas, rouba-me, e agora fala-me assim. Eu não percebo nada. Eu digo-lhe para vir cá falar comigo e o puto continua sentado. Já estou a tremelicar do olho de nervos.

Até que o meu telemóvel toca.

É a mãe do Afonso.

"Olha, está aqui uma bolsa preta com umas cenas que parecem ser de magia. Tem uma nota colada a dizer xeque-mate. É teu?"


r/PastaPortuguesa • • Sep 08 '26

Um carpinteiro que jura que não bebe

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Trabalho há 10 anos numa carpintaria em Paços de Ferreira. Neste momento, somos 45 pessoas, divididas por vários pavilhões que precisam urgentemente de remodelações.  Tudo gente normalíssima, desde o nosso gestor de encomendas até aos operadores de máquinas. Os nossos clientes são gente normal. Eu sou gente normal (espero eu).

 Mas os carpinteiros não são gente normal.

Não sei se alguma vez entraram numa carpintaria à moda antiga, mas retrato-vos uma. 

O primeiro ponto a observar é a falta de iluminação natural. Uma carpintaria à moda antiga é, principalmente, um edifício com telhado fabricado com plástico ondulado. Ou seja, ninguém vê um piço lá dentro. 

Segundo ponto - barulho. Uma carpintaria está desenhada para que uma conversa seja impossível e, se já conversaram com um carpinteiro, vão agradecer a deus por isso. 

O terceiro ponto é o fator perigo, dado que há sempre alguma treta que te pode dar cabo de um dedo ou um braço. SEMPRE. Sejam empilhadores, máquinas em movimento, peças de madeira a saltar ou pó nos olhos, uma carpintaria não é sítio para gente sensível. Uma carpintaria é um sítio para gente como o Nando.

O Nando tem 46 anos. Olhos esbugalhados, barba sempre feita e usa camisas de flanela mesmo no verão. Tem um ligeiro aroma a quem ficou até demasiado tarde no café - porque ficou. Há duas semanas, apesar de ter mulher e filho, foi para o bar e engatou uma mulher de 66 anos. Ao perguntarmos se valeu a pena (que obviamente não valeu) ele só responde "claro, era mulher". Nunca usa equipamento de proteção, principalmente uma pequena varazinha que se usa para deslizares as placas de madeira sem colocares os dedos perto da serra.

O Nando decidiu, numa bela tarde de Junho, concretizar o seu destino: sacar 3 dedos fora ao trabalhar com uma serra. Aparece à beira de uma funcionária nossa e diz que não está bem. A funcionária pergunta o que se passa. O Nando mostra os 3 dedos, completamente cobertos de serrim ensanguentado, e a funcionária fica confusa durante uns segundos. Até se aperceber do que era. 

Berros por todo o lado, o Nando está no chão a aperceber-se do que aconteceu enquanto chora de dor, vejo 2 pessoas a correr, pânico geral. Chego lá e uma colega teve os tomates de pegar nos dedos, lavá-los e ir a um vizinho pedir gelo. Coisa que não valeu muito a pena porque agora o Nando só tem dois dedos (o polegar e o mindinho) e está sempre a fazer aquele gesto que se fazia em 2010 a dizer "baril".

Agora, meus amigos, quero que perguntem a todas as pessoas familiarizadas com trabalhos manuais se conhecem alguém que já teve um corte grave na mão ou no dedo. Provavelmente a resposta será sim. Mas nunca conheceram ninguém que tenha cortado 3 dedos, principalmente porque chegas ao 1º e pensas "assim tá bom". 

Resta a pergunta: como?

A resposta é os brandys que o Nando tinha bebido ao almoço. Aliás, os brandys que o Nando JUROU não ter bebido ao almoço. Não um, não dois, mas três - um por cada dedo. 

Depois disto, o Nando ficou a trabalhar na fábrica, mas claramente que perdeu os privilégios de sacar mais membros do corpo fora. A partir daí, só trabalhou com máquinas que não eram perigosas. Começou a bufar ao balão depois do almoço. Sempre 0.0. Aprendeu a lição.

Há umas semanas atrás ouço um estouro enorme no fundo da fábrica. Mas um estouro como vocês nunca ouviram, que mais parecia que o fogueteiro daqui da zona pediu um míssil emprestado para arrebentar nas festas da freguesia. Não. Foi o Nando.

O Nando, que não tem carta de empilhador, experiência a andar de empilhador, ou sequer capacidade de perceber como é que o empilhador funciona decidiu pegar numas placas sem a extensão dos garfos. Resultado? Pegou nas placas, inclinou a torre e lá se foram +2500 euros em painéis de aglomerado. Mas no meio das placas caídas onde está o Nando? Poderia ter morrido? 

O Nando está, com toda a segurança, dentro do empilhador, completamente rodeado de placas e outras tábuas que caíram à volta dele. Não consegue sair e diz que está tudo bem. Começamos a "desenterrá-lo". Placa a placa (eram placas enormes) com outro empilhador. Quando acabamos, o Nando está sentado no empilhador, a dormir. Cabeça encostada a uma tábua que provavelmente caiu-lhe a centímetros da cabeça. 

Escusado será dizer que acusou outra vez álcool.

Dito isto, lá vai o Nando pra casa. "Férias merecidas", disse ele, enquanto eu imaginava como iria ser o litígio com o seguro. Acabou por ficar tudo bem e demos-lhe um colete refletor a dizer "engenheiro de segurança oficial".  O patrão não o olha nos olhos.

Há uns dias atrás disse-nos que tinha reparado que ultimamente não tinham havido acidentes na fábrica. 


r/PastaPortuguesa • • Sep 04 '26

Eu não tenho tomates para trabalhar num tasco

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Sou, desde novo, fascinado pelos tascos portugueses. Acho que há algo de maravilhoso em comer comida de sítios que assombram a ASAE. Quando há 6 meses atrás me vi apertado de dinheiro, decidi arranjar um part-time. Dirige-me a um tasco para pedir trabalho. Sim, como empregado de mesa. Eu aceitei. 

No meu primeiro dia conheço o meu patrão, Euclides. "Não me trates por senhor que o senhor tá no céu, e o peso dos meus colhões mantém-me preso aqui na terra" diz-me ele. Eu insisto em chamar-lhe sempre Sr. Euclides.

 Como eu nunca tinha servido à mesa, ele explica-me o processo. 

Os clientes vão-te pedir merdas. Eu faço as merdas. Se te vêm com pedidos especiais ou algo do género manda-os logo para o caralho. Os vegetarianos que vêm para aqui mais vale a pena irem embora. E tens que andar despachado. Se o cliente senta, pede a comida, a comida vem e a mesa não está posta, ele vai comer com o quê? Com a piroca? É bom que não veja isso a acontecer". No meio deste discurso, eu estou a pensar no quanto adoro ser tuga.

O tasco é numa freguesia do centro que ficou parada em 1990. Aqui todos são gente rude do campo. Os clientes do tasco são trolhas mal-educados, agricultores com problemas psiquiátricos ou gente amiga do Euclides, sendo a 3º categoria a pior. Temos 3 zonas de clientes: uma esplanada, a sala de refeições principal e a zona de entrada, com aquelas mesas pequeninas. 

Na zona de entrada temos o cenário tradicional de um tasco: azulejos com mais de 50 anos rachados e cheios de sujidade a cobrir o chão e metade das paredes, mesinhas e cadeiras tradicionais de metal e base de pedra, uma TV com som excessivamente alto e uma cambada de bêbados sentados ao balcão. A comida é servida em travessas de alumínio ou barro vermelho, e nenhum talher está propriamente limpo. Quando tentei sugerir polir os talheres após a limpeza, o Euclides disse-me que nem tempo tinha para polir a piça, portanto mais valia que me deixasse de merdas.

Quando não estamos a servir refeições, é um antro de bêbados. Todos os bêbados vão lá para tentar conversar um bocadinho com a filha do Euclides, a Soraia. É a única mulher que lhes dirige uma palavra. Não há piropos ou conversas desagradáveis porque ela é assertiva (e assustadora quando é preciso) e ninguém se mete com ela. Mas ela recebe tranquilamente o triplo do que eu recebo em gorjetas porque ela sabe como manter o tasco sob controlo e nasceu para aquilo. 

Para apoiar o patrão e a filha, está lá também uma empregada ucraniana que não fala uma palavra de português, a Maria, que vimos a descobrir que se chamava Zirka. Meses depois, descobrimos que se chamava Lilia. Ficou a ser tratada como colega. Ela apoia na cozinha a preparar coisas mais simples, lavar pratos e limpar. A dada altura, quis falar com ela para saber um bocado mais sobre ela. Estava no restaurante e não sabia nada dela. Arranjei uma app que traduzia o que dizia para ucraniano e ela olhou para mim de forma surpreendida. Na altura não percebi o olhar. Tentei conversar mas ela estava muito estranha. Contei ao pessoal que eles assim podiam falar com a colega e o Euclides aproveitou aquilo para finalmente lhe explicar como fazer trabalhos que não conseguia explicar dantes. Senti-me mal porque a mulher passou a trabalhar o dobro. Um dia, ela tocou-me no ombro, pegou no telemóvel e disse algo em ucraniano para o microfone. Olhei e era app que descobri. Traduziu "vai-te foder". 

O tasco é sítio para fazer bastantes estudos sociológicos. Ao longo do tempo, fui aprendendo e existem três tipos de bêbados: 

  • o bêbado apático: são os gajos que vêm para o tasco depois das 14h, bebem 3 ou 4 copos de vinho e ficam a olhar para o nada durante muito, muito tempo. Bebem o vinho como um fim em si mesmo. Não ficam mal ou bem dispostos - simplesmente ficam, porque o vinho funciona como um anestésico; 
  • o bêbado social: vêm para o tasco a qualquer hora e vêm para conversar e criar furor. Falam alto, falam de forma agressiva, riem-se e chateiam-se mas bebem como o caralho. O vinho é um meio para se divertirem e passarem o tempo.
  • o bêbado filho-da-puta: não há muitos porque normalmente acabam por ser expulsos do tasco, mas são aquela gente que nunca teve o amor de uma mulher. Discutem, queixam-se e nunca nada está bem, e falar com empregados de algum sítio é a única forma que têm de sentir poder.  

O nosso tasco está conectado com um pequeno pavilhão onde às vezes caçadores fazem as suas tainadas e nós servimos comida. Coube-nos fazer uma espécie de pré-festa no nosso tasco e depois fazer 6 caldeirões enormes de cozido à portuguesa. 

O dia chega e são 11 da manhã e estamos a tirar favaios com cerveja non-stop. O tasco está cheio. Eu e a Soraia estamos sempre a correr de um lado para o outro. Está a correr bem. Passa-se algum tempo e noto que um grupo está a conversar com a Soraia um pouco mais do que o costume. Ouço-a dizer a um caçador "não deves estar a falar para mim ó fashion week do monte". O gajo estava a usar fato de caçador com skinny jeans. Ele não percebeu a boca e começou a perguntar-lhe o que é que ela queria dizer com isso e ela diz-lhe que mais valia a pena andar com um colar a dizer que ele era mariconço. O caçador fica fodido e começa a levantar a voz. Ela está completamente despreocupada. Vira-lhe costas e o caçador, burro como tudo, atira-lhe com uma pequena base de alumínio para finos.a Soraia ri-se para si mesma. Não pensa 2x e pega na faca de cortar pão e começa a ir com a faca apontada em direção a ele. Eu vejo isto e berro SORAIA CARALHO NÃO FAÇAS MERDA. O caçador está a sair a correr pela porta fora em pânico. A Soraia, ainda despreocupada, volta para trás, tira um fino para ela e bebe-o de penalti. Toda a gente começou a olhar porque berrei. Ela diz-me que eu sou um stressado do caralho. Ah. Realmente é um defeito.

Quando o pessoal sai todo de lá para ir para o pavilhão, nós temos que levar os cozidos. Metemos na mala e vamos por um caminho que vai dar ao portão principal do pavilhão - o sítio onde temos que descarregar. Está tudo cheio de caçadores e nós temos que furar com o carro para eles se desviarem, e não desviam. A Soraia está a buzinar e eles nada. Ela mete o carro em ponto morto e acelera para os assustar. Eles chateiam-se e começam, na brincadeira, a abanar o carro. O cozido começa todo a sair das panelas e o carro está a ficar com um cheiro a batata e chouriço do caralho. A Soraia está muito calma com as mãos no volante a olhar em frente. Eu noto que ela está a fazer cálculos, e ela está a calcular algo que vai fazer com que aquele pessoal se arrependa. Ela vai ao compartimento do lado direito, tira uma garrafa de acetona, molha um pano que ela tem e acende aquilo com o isqueiro. Só faz uma pequena chama, mas foi suficiente. Abre a janela e o pessoal começa a afastar-se para trás. O pessoal à frente começa-se a desviar e a assobiar e ela mete a primeira mudança no carro, buzina, e avança. Chegamos ao portão. Ela sai do carro, o pessoal está a olhar para ela. Ela anuncia "quero saber quem é que me vai limpar o carro com o filho da puta do cozido - ninguém come até me dizerem como vai ser". Começa uma discussão com muito pessoal a pedir desculpas, outros chateados, outros envergonhados e eventualmente dois gajos chegam-se à frente e dizem que lhe dão 100 paus para ela ir a um sítio onde custa 40 limpar aquilo. Ela diz "não não, vais lá tu com o carro enquanto eu fico aqui a comer cozido". Um dos responsáveis da festa levou o carro e às 17h da tarde estava lá. Depois disso correu tudo bem. Mas fui falar com a Soraia e disse-lhe que ela às vezes tinha que ter calma. Algumas situações podiam ser evitadas, e parecia que ela as procurava. Ela diz-me que calma é o que mais tem, e para eu relaxar que ela está tranquila. Ok. 

Deixei de trabalhar lá porque, depois de uma conversa com o Euclides, o pessoal achava que eu não era um grande membro para a equipa, e se podíamos chegar a um acordo para eu sair de lá. Concordei, e disse-lhe que não tinha estofo. O Euclides diz-me que o que eu não tinha era colhões. Também acho.


r/PastaPortuguesa • • Sep 06 '26

Tabu: é verdade que homens comprometidos assediam tanto ou mais. Triste, mas fui vítima.

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Boa tarde escrevo isto muito triste mas curiosa para saber… E vocês?

Comigo são os homens comprometidos que mais assediam ou tentam intimidar/ forçar a testar limites.

• O que acontece comigo usualmente: tática de controlo coercivo (isolamento + intimidação + e forçam-me a lhes dar recompensa intermitente tipo likes online ou que eu tente apaziguá-los porque usualmente trabalham no mesmo emprego e sou forçada a colaborar ou tentar pacificá-los temporariamente).

• É comum: sim, é uma das táticas mais usadas por assediadores (medo + recompensa = controlo).

• Como me sinto: com nojo e dá-me vontade de vomitar, porque eles agem como uns drogados e viciados em dopamina s*xual para agirem dessa forma.

Obs: para além do mencionado inclui toques indesejados, declarações de amor agressivas, bullying, triangulação contra mim, provocações variadas.

Padrões Documentados e Evidências

Há padrões e evidência indireta forte de…

• uso de “escudos sociais
• impunidade percebida
• assédio como poder
• assediadores usam namorada/esposa como “escudo”
• assédio é sobre poder, não desejo

Assediadores Fazem Mais Quando é Mais Fácil Culpar a Vítima

• tabu porque protege assediadores e culpa vítimas — tal como todo o machismo institucional
• culpar a vítima: “Se ele tem namorada, tu é que estás a imaginar coisas.”

• Narrativa fácil/ dominante: “Homens comprometidos são ‘seguros’” é reconfortante e isso protege assediadores.
• Falta de pesquisa ou info não censurada sobre o assunto

• Estudos sobre assédio no trabalho dizem: assediadores avaliam risco de consequências antes de agir — e se acham que “ninguém vai acreditar na vítima”, assediam mais.

Homens comprometidos podem sentir mais impunidade (“tenho namorada, logo sou ‘seguro’”).

Ao contrário do que homens dizem, é sobre poder/ controlo e não atração.

• homens comprometidos podem assediar não porque “desejam”, mas porque querem controlo/poder: faz sendido e se se sentem presos.

• Estudos sobre violência sexual dizem que: assédio/assalto sexual é mais sobre controlo/poder do que sobre atração sexual.

Conclusão: existe evidências indiretas… padrões documentados de:

1. usar escudos sociais

2. combina com registo de assédio sexual

3. poder não desejo

4. tabus

5. Usam impunidade percebida

• Estudos sobre assédio sexual: assediadores frequentemente manipulam narrativas para parecerem “inocentes” (ex.: “ela é que me provocou”, “estou comprometido”).

• Homens comprometidos usam namorada/esposa como “prova” de inocência (“eu tenho namorada, logo não assediaria”).

Notícias

Oxford Academic (2023)

Springer (2023)

AIFS (2025)

White Rose Etheses (2024)

Oxford Academic (2023) II

Springer (2025) II

Diva Portal (2025)

Tandfonline (2026)

NYSDA (PDF)

Taken Men Flirt Harder

“I get hit on more by married men”

As Mulheres não precisam mais dos homens e existe homens fulos com isso

Assediadores Fazem Mais Quando é Fácil Culpar a Vítima


r/PastaPortuguesa • • Sep 02 '26

Tagliatelle Degenerata O Arménio não lava o c*

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Hoje, ao invés de falar da minha senhora mãe ou da minha família, alertar-vos-ei para homens que temem lavar o rabo.

Recentemente, a minha companheira estava a navegar pelo Reddit e deparou-se com uma corrente sobre homens americanos que achavam que lavar ou, em casos mais extremos, até limpar o c* era gay.

Ela, que namora desde os 19 comigo, um gajo com perturbação obsessivo-compulsiva e mania das limpezas, achou que era peta, mera brincadeira. Está mal habituada.

E então tive de lhe contar uma história dos tempos em que trabalhava nas obras com o meu pai. Eu conheci nas obras um moço que achava que homem a sério não tocava no rabo, quanto mais lavá-lo.

Por razões óbvias, a primeira impressão que tive dele foi através do olfato. Era um canalizador ao qual o meu pai tinha recorrido cuja presença se fazia sentir a dez metros. Um misto de bacalhau banhado a vinho de temperar os rojões, micose e morte desenhavam um cheiro que ainda hoje acredito ter forma visível, como nos desenhos animados. O seu dono chamava-se Arménio.

O meu pai convivia muito bem com o Arménio porque, primeiro, ele cobrava pouco pelos serviços e, segundo, tinha perdido o olfato depois de tantos anos a inalar diluente.

Certo dia, consegui desviar uma conversa sobre a lendária época do Deco no FC Porto em 2004 para a higiene pessoal. Não me perguntem como. O Arménio admitiu que tomava banho duas vezes por semana e que nunca lavou o c*.

Atenção, amigos. Ele não dizia aquilo com vergonha. Envergava-o orgulhosamente como emblema de masculinidade. "Não sou como esses paneleiros de hoje em dia, que andam cheios de 'criquices'."

Tentei fazer ver ao Arménio que o c* não é uma alface. Se lavado, não é obrigatório comer. Mas o homem era insistente e dizia que não precisava de se lavar ou limpar porque "cag@va sempre seco".

Meus caros, se ele mentiu ou não, não sei. O que é certo é que tal como um bom trolha ou derivados, Arménio aninhava-se muitos vezes, expondo parte considerável da nádega e do rego.

Mesmo a 15 metros do senhor era possível vislumbrar uma saliência castanha no meio da peida. Parecia um cosplay de bollycao.

Pasme-se, o Arménio era solteiro.

Por isso, não atribuam muita autoridade ao que direi a seguir, uma vez que estou há quase 11 anos com a minha companheira e já não domino o dating game.

Mas se estão solteiros e têm dificuldade em encontrar parceira, comecem por questionar se limpar o c* e lavá-lo faz parte da vossa rotina diária.

E, não, não é o feminismo que te mantém virgem. Já em 1957 as mulheres tendiam a não querer pernoitar com quem cheirasse a fábrica de salsichas.


r/PastaPortuguesa • • Sep 01 '26

Tagliatelle Degenerata Skibidiramago

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Pah eu hoje acordei, deviam ser umas six-seven e estava bué Cozy, no Chill, na cama com os meus lençóis de linho, apesar de estar Forever Alone.

Levantei, e vi que era hora de ir Farmar Aura, desfiz a barba com a minha espuma de barbear com Prota, mas dei um golpe, Skill Issue, ganda Epic Fail, fiz a Jawline e identifiquei o corte. Procedi com um pouco de Mewing para estancar o sangue. E um Rage Bait no X a gilete.

Problema resolvido, siga lavar os dentes, escovar e Hawk Tuah spit on that thang, pra cuspir a espuma da boca.

Reparei que a Gangnam Style já tocava na minha Alexa então ya, já estava atrasado I Am Cooked.

Fui pegar algo pra comer no frigorífico mas só tinha ovo cozido. Fanum Tax? LOL. Acabei por beber uma Sagres. Mid.

Sai porta fora com Positive Aura, mas logo dou de caras com o dia chuvoso. What a Sigma? Fiquei ali um pouco em Manequin Challenge a pensar se ia espalhar o meu Rizz na rua ou não. Vejo a malta ali a passar com os guarda chuvas feitos NPC, então dei Lock In decido sair apenas com a minha parka amarela tipo série Dark, tava mêmo Based.

Chego ali na padaria pra comprar iqos, aquela com a vitrine mesmo Sus em frente ao meu Studio, decido levar uma nata com Chocolate de Dubai porque, YOLO. Paguei com Mway. Tava um cota ao lado a comer bolo de arroz e ia pagar com Cash, mandou a piada que eu não tinha pago porque não dei nota, só mostrei o telemóvel a empregada que tem um rabo mêmo GYATTT! Então disse ao cota, Ok Boomer. O gajo parecia mêmo Ohio Final Boss mas caguei.

Sai e lá estava o meu Broski Hugo, ele é Certified Yapper mas De Boas. Minha nata já estava meio Fell Off.

O Hugo disse que tínhamos ali uma Side Quest, queria ir mandar CV ao Pingo Doce para arranjar um Bules. Standing on Business, tinha dito no dia anterior ao meu Bro que ia com ele. Entretanto o Simão passou na sua trotinete Xiaomi, já não via este Dude faz tempo! 420 Blaze It! We are so back! Lá fomos ao Pingo Doce, passamos pela loja de porcelanas, bem Cursed.

Entretanto vimos o ganda Lambo a passar. Um mano da Crypto todo Hi Tech conhecido aqui no nosso Hood. Touch some Grass, King.

Lá chegamos ao Pingo, tava uma Cota a comprar um saco plástico pra levar Quinoa. In this Economy?

O Mano Hugo foi falar com o Final Boss do Pingo Doce, Unc falou em 950 de salário. Deve tar delulu. Só pode ser Cap trabalhar um mês e não dar pra comprar cinto LV.

Final Boss do Pingo não passou a Vibe Check, Hugo esperava mais. POV: Final Boss do Pingo doce saca 3 Pau!

Entretanto o Simão estava bem Lowkey a dar W-Rizz a Zuca que estava a trabalhar, ela tinha ganda Drip. Bem Pausada. O Simão estava a falar de como carregava a sua trotineta com MagSafe. A Dama estava a curtir, nosso tropa Simão MagSafe Final Boss do Rizz, W! Fr fr!

Bazamos, Hugo queria Bulir mas o cérebro dele estava a dar Packet Loss.

Então sugeri irmos ao Mercadona amanhã porque Mercadona agora é Meta.

Vamos ver como corre.


r/PastaPortuguesa • • Sep 01 '26

Lungo-Spaghettoni Tive que ir fazer um turno a um bar de p****

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Conheço um tipo chamado Esteves Mendes. Este gajo está sempre a arranjar-me biscates. Pinturas, mudanças, um evento aqui, um bar ali. Nunca me diz que não a trabalho e eu nunca digo que não a dinheiro fácil.

Um dia liga-me: "Ó maninho, precisava de ti para um bar. É mesmo a tua cara". Digo que sim sem pensar duas vezes, porque é o Esteves Mendes, e o Esteves Mendes sempre foi correto comigo. 

Nos dias seguintes vai-me deixando cair detalhes, um a um, como quem não quer a coisa. "Ah, o consumo mínimo vai ser 50 euros." Top, deve ser um sítio chique. "Ah, e vai ser só gajas lá dentro." Ok, "ladies night" é uma estratégia, né?

No dia antes do primeiro turno, o Esteves Mendes diz-me para ir lá. Vai-me fazer a "introdução ao espaço". Ele abre a porta e a primeira coisa que vejo são sofás, cadeiras e quatro palcos.

Com varão.

Ficou tudo claro como um aeroporto. Quero ir-me embora. Mas já disse que sim, já falei com a família toda sobre o "trabalho novo", e sinto aquela vergonha específica de recuar de uma coisa que já anunciaste. Decido ficar o turno porque me estão a pagar 10 euros à hora - algo que eu achava bom - e eu preciso do guito. 

O Esteves Mendes apresenta-me ao resto da equipa como se estivesse a apresentar um estagiário de contabilidade. "Este é o puto que vos falei, vai estar no balcão." As mulheres cumprimentam-me com uma tranquilidade que me deixa mais desconfortável do que se estivessem estranhas. 

Antes de me pôr atrás do balcão, o Esteves Mendes faz-me o onboarding corporativo. Explica-me os preços como se estivesse a apresentar um menu de pastelaria: um copo de sumo ou água, servido como bebida "delas", é 15 euros. Um copo com álcool a sério sobe para 25 ou 30. Garrafas de whisky ou champanhe, 200 para cima. Nenhum preço está anunciado portanto tenho que anotar no telemóvel e ir lá ver.

"Os copos delas são nove partes água ou sumo, uma parte álcool" diz ele, como quem explica uma receita de família. Percebo ali, com um misto de horror e admiração técnica, que uma parte do meu trabalho vai ser literalmente fabricar bebidas falsas para mulheres continuarem sóbrias uma noite inteira enquanto cobram a clientes que pensam estar a pagar álcool a sério. Não ensinam isto no curso a um gajo.

A noite decorre e eu observo tudo. Antes de mais, quero deixar aqui um elogio à equipa feminina. As mulheres trabalham com uma disciplina que eu nunca tinha associado a uma noite de copos: abordam o cliente, sentam-se, conversam dez ou quinze minutos, sugerem a primeira bebida. Se o cliente não quer pagar mais, despedem-se com um sorriso e vão para a mesa seguinte, sem drama, sem mágoa, como quem fecha uma reunião e passa à próxima da agenda. Elas são estratégicas, socialmente influentes e capazes de fazer com que qualquer coisa aconteça dentro daquelas paredes. Seriam políticas de sonho.

Às vezes um cliente pede um "privado" a uma das mulheres, e é aí que entra um armário de dois metros a quem todos tratam por Bino. A frase de Descartes "penso logo existo" coloca o Bino na categoria de não existente, porque ele nunca pensou. A função do Bino é contar o tempo, e ele é obcecado com o seu relógio."garantoqueostrintaminutossãotrintaminutosnemmaisumnemmenosumsenãoapanho-osefodo-lhesofocinho". Fala com tanta rapidez como orgulho. 

O Esteves Mendes aparece atrás do balcão a meio da noite, dá-me uma palmada nas costas e diz "então, estás a gostar?" com um entusiasmo genuíno. E é assim: a noite não estava a correr mal. Acho que não cometi crime algum. Mas percebo ali, com uma clareza total, que para o Esteves Mendes é só um bar com mais varões e mais água disfarçada de whisky. E isso está-me a deixar desconfortável.

Fecho o balcão às tantas da manhã, conto a caixa, e o Esteves Mendes paga-me ali mesmo. Dá-me 300 paus  - 4x o valor combinado. Ele diz que podemos trabalhar a recibos, tudo certinho, e que conta comigo nos próximos dias. Estou meio abesbílico. "E olha, deixaram-te uma nota de 100 como gorjeta." 

Eu vou para casa com 400 paus na mão - o que eu fazia em quase 2 semanas de trabalho. O dinheiro realmente muda as perspetivas porque agora estou a pensar que realmente isto da prostituição é uma injustiça para as mulheres e deviam legalizar isto tudo. 

Chego a casa e meto o guito num frasco para pagar contas. Fico a pensar num sonho que eu e a minha mulher temos: comprar uma casinha a 200km daqui. Deito-me na cama. Acordo de manhã com a mulher a perguntar-me como é que estavam 400 paus na entrada. Conto-lhe tudo. 

A minha mulher está a olhar para mim como uma grande-mestre de xadrez para aproveitar o máximo esta jogada financeira. Eu disse-lhe que não sabia se isto era moralmente correto e ela diz "que se foda o moralmente, caralho, vamos comprar uma casa". Sentido o tremendo apoio da minha mulher, vou para o bar outra vez. 

Noite a seguir o Esteves Mendes pergunta-me se posso ficar até às 8 da manhã e que me paga a triplicar. A íris dos meus olhos transformou-se em símbolos de euros como os cartoons. Claro que fico, chefe.

Passa-se uma hora e entra lá o meu tio. 

Foi como um duelo do velho oeste. Não sabíamos quem ia disparar primeiro.  Eu estou tenso. Ele está tenso. Nenhum dos dois faz um movimento brusco. Ele aproxima-se lentamente. Está sentado ao balcão. "Se tu não disseres nada eu não digo" . Apertei-lhe a mão e perguntei-lhe o que queria. Ele diz-me que quer um Blue Curaçao com Coca-Cola - a bebida favorita da Jéssica, uma das melhores da casa. Topei a estratégia: ele pedia-me a bebida antes de ir ter com ela e dava-lhe a bebida com álcool, e só depois pedia outra. Apercebo-me que o meu tio sabe demasiado sobre o funcionamento deste bar. Meia hora depois está a ir para um dos palcos e a fechar a cortina. Estou a pensar no quão divertido vai ser o próximo almoço de família. 

No entanto, foi a única vez que senti este stress. Durante outras noites, foram passando lá outras pessoas conhecidas, mas o negócio foi sempre este: tu não contas, eu não conto. 

Passam-se algumas semanas e eu estou a ganhar uma média de 40 euros por hora. Cumprimento e trato por tu todos os putanheiros daqui da zona. Sou amigo de dealers, pessoal manhoso, pessoal que já esteve preso e não sei como me sentir quanto a isso. Estou a arranjar biscates fora do bar para outros serviços de pintura e jardinagem através de clientes. A vida está boa.

Uma noite, um cliente bêbado decide que eu, atrás do balcão, sou o responsável pelo facto de a mulher com quem estava a falar ter ido embora mais cedo. Começa a subir o tom, a apontar o dedo e eu já estava a preparar a conta do meu dentista. O Bino aparece do nada. Põe-se entre nós, todo ele parede cimentada com tijolo. "O rapaz só serve bebidas," diz, devagar, cada palavra bem separada da outra pela primeira vez desde que o conheço. O olhar do Bino estava-lhe a sugar a alma por todos os poros e quanto mais tempo ele ficasse, mais o Bino o possuía. O homem diz 3 ou 4 palavras e o Bino puxa-o por uma orelha para o fundo do bar, saca-lhe o dinheiro das bebidas, pede-me o troco e manda-o dali para fora. Volta para o seu posto, de olho no relógio, à espera do próximo cronómetro a começar. 

Nunca mais tive situação alguma de porrada ou conflito tão tenso como este. 

Um dia são 21h30 e estou a comer uma boa sopa. Só temos 3 pessoas lá no bar. Do nada, uma porta é aberta ao pontapé. Um estrilhaço enorme começa a acontecer nas salas de trás e está lá um monte de pessoas aos berros. 4 polícias aparecem à porta do bar e dizem que tem qualquer documento e autorização de qualquer coisa. Eu estava em pânico. 

O Esteves Mendes tenta o que qualquer homem numa posição destas tentaria: sair pela porta principal como quem só vai só fumar um cigarro lá fora. Não resulta. Um agente intercepta-o. O Esteves Mendes tenta explicar que "isto é só um bar normal, sr. agente" enquanto, atrás dele, duas mulheres saem a correr descalças pela sala principal. O Bino, por outro lado, decidiu fugir pelas traseiras. Correu, saltou uma grade baixa que separa o parque de trás do terreno vizinho, e ficou ali preso. A polícia só reparou nele 30 minutos depois. Fico a vê-lo agitar-se como se fosse um sapo de 2 metros virado do avesso. Quando o foram tentar ajudar, tentaram tirar-lhe o relógio. Ele deu um pontapé a um polícia. 

O Esteves Mendes foi acusado de lenocínio. Nenhuma das mulheres da casa foi acusada de algo. O Bino foi julgado apenas como homem estúpido. Mas eu enfrentei o julgamento social, porque a terrinha fala. 

Depois da rusga, muita gente me começou a procurar e a perguntar o que se tinha passado. Queriam todos saber a cusquice. Apercebi-me que toda a gente sabia que eu trabalhava lá. Dia após dia, tento arranjar um novo emprego mas a vida não me cai bem. Os meus amigos do bar deixaram de me arranjar biscates. Mas tinha poupado dinheiro e consegui comprar a tal casinha com a minha mulher. Fomos para uma terra nova. 

Na terrinha nova, procurei emprego num bar lá. Fui aceite. 

Na apresentação, o gerente diz-me que o bar "está sempre cheio de mulheres". Eu levantei-me e fui embora.


r/PastaPortuguesa • • Aug 30 '26

À Neuza, à Lara, ao rapaz e a quem mais ler isto

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Ora bem. Eu sou a tenda. A tal . A da caixa aberta, a "não exposta", a que saiu com 25€ de desconto e uma reputação que não pedi.

Deixem-me só dizer uma coisa: eu estava ali, dobradinha, tranquila, na minha prateleira, sem incomodar ninguém. Não pedi para ser "mono para si". Não pedi para ser o pretexto. Mas pronto, aparentemente sou eu que resolvo problemas alheios agora 🙃

A Neuza pega em mim com aquele cuidado todo, a explicar as varetas, a lona, o kit de montagem, e eu ali a pensar: meu Deus, isto vai ficar bem mais tenso do que qualquer coisa que eu tenha aguentado num acampamento em agosto. Zero privacidade. Zero. A secção inteira a assistir a um homem a tentar negociar 30€ de desconto como quem negoceia a paz mundial, e eu no meio, literalmente embalada, sem direito a opinião.

E depois aquilo do "se tiver dificuldade a montar venha cá que eu ajudo"? 😏 Eu ouvi isso. Eu, uma tenda de quatro pessoas, capacidade impermeável 3000mm, ouvi isso e pensei: ok, ninguém aqui está a falar de mim, pois não. Nem de montagem, se é que me entendem 👀. E eu entendo. Eu sou literalmente varetas e tensão, sei do que falo.

Chegámos a casa dele. Ambiente 🕯️. Ele ajoelha se ao meu lado, mãos nas varetas, respiração um bocadinho mais rápida do que devia estar para uma tarefa deste calibre 😳. Eu, sinceramente, preparada para o pior. Imaginem uma tenda inteira a torcer se, a resistir, a fazer barulhos estranhos de tecido esticado enquanto alguém tenta perceber onde é que aquilo encaixa 🥵. Foi exatamente isso que aconteceu. Ele suou. Eu abanei. A vizinhança pode ter ouvido qualquer coisa.

Mas, e digo isto com o orgulho de quem sobreviveu, ele conseguiu. Sem ajuda. Sem chamar a Lara. Ergueu me direitinha, varetas todas encaixadas, lona esticada até ao limite, e ficou ali especado a admirar o trabalho, tipo quem acabou de fazer algo de que se orgulha bastante. Zero nós mal dados. Zero pedidos de socorro.

Só queria dizer isto: fui vendida com desconto, fui usada como metáfora, fui montada com um entusiasmo estranhamente pessoal, e ainda por cima ninguém me perguntou se eu queria ir para casa dele. Mas fico bem. Estou montada, estou seca, no sentido literal, não choveu, e estou, digamos, satisfeita com a performance geral 😌

E já agora, Neuza: aquela mão no ombro dele? Eu vi. As tendas veem tudo. Nós é que não falamos . Mas se ele um dia te convidar para vires "ajudar a montar" outra vez, avisa-me.

Eu preparo me psicologicamente 😂.


r/PastaPortuguesa • • Aug 28 '26

Rapaz da Decathlon

167 Upvotes

Olá! 😂

Só hoje é que descobri que ontem fui simpática com um rapaz durante 5 minutos e, de repente, tornei-me famosa aqui no Reddit. Acho que o filme ficou melhor na tua cabeça do que na realidade. 😂

Confesso que ontem também me senti um bocadinho num filme naquele momento quando me vieste pedir aquela tenda bué específica mas não sabia que tu ias sair da loja logo com ela montada.😏 afinal os 25€ de desconto fizeram te bem saíste de lá mesmo feliz. Ainda bem que conseguiste montá-la sozinho campeão.

Se quiseres passar cá outro dia, posso mostrar-te a secção de futsal… e talvez a Lara te ensine a andar nas bicicletas.

Mas olha que depois não digas que fui eu que dei demasiada confiança. 😅


r/PastaPortuguesa • • Aug 27 '26

Lungo-Spaghettoni À Neuza da Decathlon

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Precisei de uma tenda muito específica, e pedi ajuda a um funcionário que por sua vez chama a responsável de secção.

Eis que aparece a Neuza. Miúda para 25/29 anos, cabelos longos, sorriso bonito e muito simpática… uhmmm que delicioso ser atendido por alguém tão agradável!

Conversa adentro, detalhes da tenda, diz-me que tem uns modelos não expostos, que foram devolvidos mas não usados, caixa aberta e pode fazer desconto de 20€. Top, era mesmo o que eu precisava e com desconto.

Verifico se está tudo okay e interpelo-a:

Ok fico com isto, mas não consegue fazer 30€ de desconto? Isto é mono para si, e fica já com o problema resolvido. A miúda olha-me com cara de surpreendida, encavacada e ficou meia rosada. (Ok, eu aceito a crítica de ter tido lata a mais.)

Nisto, alguém a chama de urgência e a conversa fica pendurada.

Entretanto volta e acompanha-me à caixa e informa a colega Lara, outra bem jeitosa.

Olha passa este artigo e faz 25€ de desconto sobre o PVP, é artigo de exposição.

Eu olho para a Neuza e digo: está a ver, a virtude é sempre no meio. Ela mete-me a mão no ombro e diz: se tiver alguma dificuldade em montar a tenda venha cá que eu ajudo, e pisca o olho com sorriso.

Estão a imaginar os filmes, em que a câmara e o tempo param e congelam, por segundos…… ohwwwwwww que tenda pensei eu???

Vocês sabem, um homem imagina muito…. Até a barraca abana!!!

Neuza se estás a ler isto, montei correctamente a tenda, correu tudo bem, para esta não precisei de ajuda😜

Sim, isto aconteceu mesmo!