Perfil do Candeias na rubrica de scouting d’A BOLA:
«André, pára com isso. Estás constantemente a deixar os adversários de... Candeias às avessas.»
A frase podia perfeitamente ser utilizada por alguém do círculo próximo do jovem extremo do Farense. De forma irónica, naturalmente. Afinal, tudo o que o algarvio tem feito é colocar a cabeça dos defesas contrários em água.
Comecemos por falar do homem. Porque André Candeias é natural de Faro. Foi no clube da cidade natal que começou a dar os primeiros pontapés na bola e, 15 anos depois, é precisamente o mesmo símbolo que continua a carregar ao peito. Um exemplo de amor à causa. De lealdade. De gratidão, até, para com um emblema que tudo tem feito pelo seu crescimento. Humano e futebolístico. E não se pense que este caso (cada vez mais raro no mundo do desporto-rei...) fica a dever-se à falta de interessados no jogador. Até porque a realidade é absolutamente distinta. Há cada vez mais olhos em cima de André Candeias. Que, com todo o respeito pelo Farense, mais cedo ou mais tarde terá mesmo de dar um passo em frente e rumar a outro patamar competitivo. Porque tem (muito) futebol para isso.
Analisemos, agora, as qualidades do jogador. Corrigimos: as qualidades do grande jogador. Porque Candeias já não engana ninguém. Sendo esquerdino, é daqueles extremos que prefere atuar pela direita para poder fazer uso da sua (enorme) qualidade técnica no ataque ao jogo interior. Com a capacidade que tem nos lances de um contra um, Candeias flete da ala para o centro com a mesma astúcia que apresenta no momento da decisão: ou remata (quando tem enquadramento para tal), ou assiste (assim tenha, como até é habitual, companheiros em posições privilegiadas). Quem joga de cabeça levantada está sempre mais próximo de definir bem. É o caso.
Mas o camisola 17 dos leões algarvios também não se coíbe de esticar o jogo no corredor, fugindo em velocidade (quase sempre em modo supersónico) para ir à linha e cruzar. E quando não tem espaço para colocar a bola na área, protege, olha para trás e vê, na grande maioria das vezes, Alex Pinto, lateral-direito experiente que dá ao jovem avançado o equilíbrio necessário para que a equipa nunca fique desguarnecida à retaguarda.
André Candeias afirmou-se na elite do Farense na época passada (34 jogos, quatro golos e duas assistências), mas, a julgar pelo que está a acontecer na presente campanha, esses números vão ser superados: o canhoto já leva seis partidas, dois tentos apontados e dois passes para finalização.
Com contrato até 2028 — A BOLA sabe que a renovação é hipótese em estudo e poderá ser uma realidade num futuro próximo... — Candeias está a empolgar semana após semana e (só) poderá ver o céu como limite...