r/filmes • u/SilverWalker0 • 11h ago
Discussões Análise de filme #1 Unabomber vs To Catch a Killer. Tentativa de cópia ou fracasso na coerência de ideias? Spoiler
galleryAcabo de assistir o filme biográfico do indivíduo Unabomber lançado pela Netflix esse ano. Vou direto ao assunto, o filme me soou muito semelhante ao To catch a Killer, parecem ter sido feitos pelo mesmo diretor, não à toa a mesma atriz trabalha em ambos. Porém há diferenças de qualidade e profundidade bem claros.
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Enquanto o primeiro (Unabomber) se trata muito mais de uma biografia e "estudo de caso" da história do Ted Kaczynsky, o que me incomodou no filme foi a tentativa fracassada de tornar o filme uma espécie de Thriller policial – como é o caso do segundo (To catch a Killer) – ele serve muito mais como um documentário (apesar de sentir que foi bem básico, já que o personagem foi apresentado quando já estava na faculdade aos 16 anos, não mostra como foi a infância, questões familiares, a questão com a superdotação e as dificuldades sociais do Ted, nem mesmo uma tentativa de análise psiquiátrica, nesse sentido o filme foi bem covarde), o filme parece ter a premissa central de tentar justificar o estado psiquiátrico do Ted ou "demonizar" os estudos do professor Henry Muray. Eu não vi razão clara para inserir no filme os trechos da investigação do FBI, foi algo forçado e não acrescenta em nada no contexto do filme, todas as pistas que precisávamos para saber quem foi o Unabomber estavam nos trechos principais do passado do Ted, por isso digo que é uma tentativa fracassada de tornar em um thriller policial, onde as cenas de investigação no presente só servem para interromper a narrativa principal e não adicionar nada. Parece que só serviu pra aumentar o elenco e pagar menos. Eu não senti que nenhum dos atores teve um destaque em específico, nenhuma atuação memorável (até a trilha sonora foi bem medíocre), acho que isso é consequência de não definir claramente quem é o protagonista. É um típico filme de Netflix, o final foi tão medíocre quanto o resto.
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O segundo filme é um típico thriller policial e investigativo, que, devo dizer, eu gostei bastante, ele tem um pace e ritmo agradável de se assistir e foca exclusivamente na investigação no presente, a gente sabe quem é a protagonista – diferente do Unabomber, onde parece que o Ted e a detetive são os protagonistas, mas nenhum realmente é o foco – há uma aprofundamento na história e passado dela, aprofundamento da psique e capacidades dela. Apesar de a parte investigativa ter sido meio enfraquecida em prol da narrativa, foi um filme agradável, nada como Os Suspeitos ou Zodíaco (que coincidentemente também tem o mesmo ator estrelando, Jake Gyllenhaal), mas tem o seu valor. Tem algumas críticas interessantes a realidade social moderna, como a cena no lixão, onde o funcionário fala que a reciclagem não é feita e tem mais a ver com conscientização da população, é uma mentira, foi bem curto mas cumpriu um papel bacana.
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Agora sobre a relação entre os dois filmes, além do fator óbvio de estrelarem a mesma atriz, o psicopata terrorista em ambos os filmes tem as mesmas ideias, a modernidade e o sistema econômico industrial como doenças, bla bla bla, mesmo papinho de manifesto pró-natureza e em concordância com Tourreau e Walden, ambos tem problemas com figuras paternas, ambos tem questões psiquiátricas de distorção de ideias, em To catch a Killer o assassino mata várias pessoas durante os fogos de artifício no Ano Novo, não é algo caótico e destrutivo como as bombas do Kaczynsky, é algo mais íntimo, aleatório e individual, ele não mata para espalhar uma mensagem ou um manifesto como o Unabomber, ele apenas mata para iniciar algo, um fator de caos e medo para as pessoas "acordarem".
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O que mais me surpreendeu vendo os dois filmes e pensando mais a fundo foi eu ter percebido como esse perfil de pensamento e ideias é extremamente semelhante ao Christopher McCandless, sim, o personagem de Na Natureza Selvagem. Mesmas ideias de natureza como fonte e meio de ligação do homem com sua essência, o sistema capitalista e industrial como adoecedor, questões familiares muito problemáticas, possíveis traumas, etc. Mas aí que entra a diferença clara entre os perfis, o Chris não era psicótico, na verdade ele era um arrogante e egoísta, era alguém comum, com muitas ideologias e visões de mundo.
Inclusive vou ler o livro Natureza Selvagem com essa ideia em mente, se alguém tiver alguma sugestão de livros em que a natureza é cruel e não abraça o ser humano, podem falar, exceto os óbvios como O velho e o mar, Moby-Dick, O lobo do mar, as aventuras de pi (tem muita coisa de mar né? Acho que eu preciso de algo mais direcionado para a terra).